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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

install landscapes

sexta 13, mês 8.
madrugada com chuva de estrelas.
como se esses três itens não fossem o bastante para fazerem minha imaginação pirar, calharam de acontecer numa das semanas mais tensas da minha vida.

voltei da praia na segunda com convicção que estava muito doente, por causa de uma dor forte no lado esquerdo do corpo (provavelmente LER) e uma mancha esquerda no pescoço (que médico disse ser micose, já o @carrapatoso teve uma sugestão muito maliciosa para minha doce e pura pessoa :P).

entre exames cabulosos, longas trips em médicos e fortes disparos no coração fui salva pelos mesmos lugares e minha capacidade mirabulosa de autotransporte para eles (e continuei viva).

fazia tempo que vinha pensando em tatuar as coordenadas desses lugares nos meus braços para que nunca esquecesse o ponto em que estava minha VIDA - independente onde estivesse circustancialmente naquele momento.

pensei um bocado.
na minha pele flácida aos 70 anos e o despencar dos números que nem seria mais tão alinhados.
pensei mais.
não eram borboletinhas ou estrelinhas da gisele, eram meus guias, meus mapas.
pois bem, poderiam envelhecer comigo.
fui. doeu. fiz.

no braço direito: os passarinhos brancos alinhados 6 a.m sob o smog marinho.




no braço esquerdo: o jardim central, cercado das azaléias que cresceram comigo.


ah, tem mais uma.
na costela direita.
:O

domingo, 11 de julho de 2010

vacina contra falsos moralismos

"No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz".
Jorge Luis Borges

de resto tudo foi usualidade.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

algumas noites...




trocadas.

foi-se a eternidade.
criou-se Eternidade.

domingo, 13 de dezembro de 2009

hoje, anos atrás nascia minha irmã.

e, o dia amanheceu chuvoso.



não sei se amanheceu chuvoso, propositalmente,
como que instruindo o tempo, mandando eu ir pr'aí
pra como sempre e de costume, tomarmos chuva enquanto andamos na rua,
com guarda-chuvas sendo virados pelo vento que vem do mar e balança os coqueiros.

mas não fui.
mais uma vez, não fui materialmente.
tenho saudade do nosso banco,
do lugar que considero minha casa.
me sinto perdida aqui.

hoje não vamos comprar pirulitos de coração.
nem passar trotes e anotar no caderno que temos desde 1995.
ou ficar na frente da joalheira do senhorzinho bizarro que pinta o cabelo.

uma escolha, uma pessoa que encontramos e nossa vida muda toda

um dia, inverno, julho.
uma menininha, a Pâmela.
no dia seguinte achei você.

mistério da vida, esse encontro de pessoas.
mesmo.

são muitos causos os nossos,
coisas de quem cresceu junto, de quem passou por coisas boas e ruins.
de adotar cachorros,
de fazer meninos latirem,
ou de fazer websites nossos sinistros
de brigas e trios-elétricos.
de nascimentos e mortes.
tudo junto,
intenso.

quem nunca achou um irmão pela vida,
talvez, jamais entenda o que estou dizendo.
porque amar pessoas não é uma coisa simples de ser expressa em palavras.

desejo que hoje:

nade na chuva,
pegue carona em carros de desconhecidos,
provoque todos os meninos,
entre contra mão em todas as ruas,
escute todos os funks baratos,
vire sorvetes na avenida grande.

. seja pra sempre

[imagem de casa @ paulo brabo]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

aka dpadua

das muitas coisas que um dia o dpadua escreveu:

"Era uma mulher que, ao suspirar,
colocava o raio, a terra e o ar,
sob o poder do fogo e da água,
e disso gerava a onda.

Uma onda ligando tudo a todos.
por onde mandava lembranças,
percebia sorrisos e lágrimas,
e repensava a si mesma.

mulher -> matéria -> onda
lembrança -> sorriso -> mudança

A força de seu coração mantinha uma rede
inteira de corações reunidos.

Pobre dela. Foi aprisionada.
E agora?

FIM"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

vila

Hoje, num surto repentino decidi visitar a Vila em que os pais do meu pai moraram durante todo o período em que estiveram casados. Tipo, uns 50 anos.

O pai dele, Wilson, filho de imigrantes portugueses, analfabeto, veio de navio.
Sua mãe, Maria, vinda da Espanha, também era analfabeta.

Imaginem: muitos dias viajando no mar em condições precárias, em busca de uma vida melhor num lugar que nem sabiam como era. Surreal.

E, pelo caos essas vidas se encontraram, em algum momento da vida.
Acreditaram que poderiam tecer coisas juntos, desembaraçar desejos, sonhar com coisas.

Fizeram 6 filhos, todos nascidos em casa. Sem planejamento, sem escolas particulares, cursos, ou seguro saúde.

Maria trabalhou criando os filhos a vida toda. Tinha uma rotina limitada, pouco conheceu do mundo, não costumava fazer coisas sozinhas, nem mesmo ir até a padaria.

Wilson trabalhou como muitas coisas: fez panelas, foi feirante, e antes de adoecer fabricava produtos de limpeza no fundo do quintal e os vendia em uma kombi branca.

Convivi com eles até meus 11 anos de idade, quando Maria faleceu repentinamente em uma noite de dezembro de 1995. Wilson havia falecido um ano antes de câncer na próstata.

Estranho entrar numa vila, cuja parede data de 14/04/1954 (30 anos, 1 mês e 5 dias antes d'eu nascer), com algumas casinhas reformadas, outras intactas da época da minha infância. Lembrei de esconde-esconde, pega-pega, de querer comer biju vendido por andarilhos. Coisas assim.

Tive muitos primos, de diferentes idades. Pouco contato com a maioria. Hoje não os vejo há tempões.

Pensei em tocar na casa que moraram.
Mas desencanei.
O portão de madeira que tanto cuidavam foi trocado por um tétrico e grande de ferro-feio. bleh.

Falei com a Dona Elfe, uma senhorinha branquíssima, descendente de alemães, nascida em Santa Catarina que aprendeu a falar português apenas aos 20 anos. Lembrei que ela me dava biscoitos, e ela disse ainda com as crianças da vila.

Passei pouco tempo naquele lugar, ou talvez não.
Nesses dias minha percepção foi perversamente alterada.
Ou seria refeita? Ou destruída?
Vai saber.

A casa dos pais do meu pai sempre apresentou uma realidade bem diferente do lugar em que vivia. Era uma casa humilde, em que compravam e armazenavam comida, coisas de tempos difíceis.

Meus tios passavam por muitas dificuldades, outros por problemas que eu achava legais.
O meu tio mais velho, por exemplo, trabalha como bicheiro, foi preso algumas vezes e "comercializa coisas", hoje tem 70 anos (mesma idade da mãe da minha mãe). E, fica desde que me lembro do mundo, numa esquina com o talãozinho de jogo e seus cachorros. Hoje mora no andar de cima de um galpão do meu pai.

Enfim...

Fui embora com muitas/algumas perguntas:

Quem eu seria hoje se tivesse sido criada pela família de meu pai?

Como minha avó materna viveria no mundo de hoje?
[*Sendo mulher não consigo me visualizar sob as mesmas condições que ela viveu.]

Mas, ao mesmo tempo pensei:

O que é preciso para ser feliz?

Não sei se minha avó desejava algo mais do que ter muitos filhos e uma casa.
Certamente não tinham ânsia pelo dinheiro, mas em nutrir uma família.

E, fico pensando aqui...
Ainda existem famílias hoje?

Fui embora com a sensação de ter preenchido algo.
Não sei o que.

sábado, 21 de novembro de 2009

intense_trivial

Dizem que os mitos são feitos por estórias ou histórias que alguém contou, imaginou ou escreveu. Mas, existem mitos que demoram certo tempo para serem documentados. Alguns outros nunca serão.

Então, resta andar nas rodas gigantes luminosas, nadar no mar em dias de chuva nublados, e cantar para instigar o silêncio sereno, de tudo aquilo que pulsa no momento como um anagrama secreto da alma que um dia foi intensamente codado.


"Drink me, make me feel real
Wet your beak in the stream
Game we're playing is life
Love is a two way dream"
@Bjork



"Words like violence, break the silence
Come crashing in, into my little world
Painful to me, pierce right through me
Can't you understand, oh my little girl

All I ever wanted, All I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm

Vows are spoken, to be broken
Feelings are intense, words are trivial
Pleasures remain, so does the pain
Words are meaningless, and forgettable

All I ever wanted, all I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm


Enjoy the silence..."

Martin Gore @ Depeche Mode

sábado, 3 de outubro de 2009

#tags

Alguns dias atrás o Orlando havia perguntando sobre uma #tag
Prometi escrever o significado, diante de pesquisas, momentos e trabalhos que tenho vivenciado.

segue:

#pega-pega: apropriação, antropofagia.

#esconde-esconde: observar uma situação de longe, quietinho.

#atalho: o oposto do #desvio (esse aqui explicado), tentar encontrar uma forma mais fácil de chegar num futuro obvio. no começo pode parecer um #desvio, mas logo o resultado surge.

#timinho: lembra dos jogos de escola? em que os professores escolhiam os dois alunos mais fortes para escolheres seus times. mais ou menos isso. no timinho existem projetos feitos sob guerras de egos e vaidades soberbas - mascarados de diversão pura, claro.

#choque: (melhor aqui)

#sala-de-jantar: pessoas ocupadas de mais em suas coisas super-importantes, que esquecem de olhar para o lado.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

do desvio

tenho acompanhado o blog-projeto linkado pelo efeefe

desde entao, pirei: "pra achar algo, eu precisei desviar de tudo"

eu sou declaradamente contra qualquer tipo de foco, metodologia ou previsibilidade
certas vezes, chego a zoar a mim mesma, tamanho absurdo da dislexia de vida que levo

mas, a sensação de estar certinha, parecendo coerente
e de repente virar tudo ;)
não tem como relatar

via #submidialogia recebi hoje:

GNOSC - um corpo sem órgão @ Leo Pedreiro

"O mundo é um barulho dos infernos com pequenas ilhas de reconhecimento aural {anamnése}. Todo humano é uma ilha, ligado ao continente da espécie por debaixo de um mar de memórias. Se ao menos nos lembrássemos o tanto quanto nos esquecemos. Mas na Som Caos submersa em informação de nosso mito já não há humanos {que, gafanhotos que eram, fugiram em busca de outra eutopia atlante}... Lembrar do fim destes se torna uma necessidade para os que ficaram com seus escombros. Dois modos de conduta vigentes para as harmonias sinestésicas do corpo sutil, duas formas de tática em mídia zero, geram uma segregação técnica das transmutações extra-humanas do cognitariado: cíberorganismos e zumbidos. Os ciborgues alteram seus corpos pela expansão cibernética do controle programático de condutas baseado nos enraizamentos arbóreos da gnose em abstenção dos modos ruidísticos de transcendência da vontade e do ego, são por isto também chamados replicantes. Os zumbis têm seus corpos alterados pelo contágio afectivo, pela impregnação da alteridade em suas estruturas moleculares ausentes, se auto-abandonam ao ruído na busca ascéptica da sujeira, devoram o fato de serem devorados e do Demiúrgo impedir qualquer proximidade de Sofia. Uma terceira linhagem de netos de Silêncio surge sem que se saiba da mãe, os ciclopes, que passam a vida a observar ciborgues e zumbis dançando."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ficar

estou meio off desse blog, e não por falta de devaneios, ideias e desejos de escrever
mas, por falta de tempo, ou melhor por uma reorganização dele, por uma dinâmica transitória
tendo que resolver coisas que precisam do presencial e de paciência

acho que muitas coisas estão se reorganizando nesse tempo, tanto pelas inquietações da Casa de Cultura Digital, pelas possibilidades da Veredas, quanto pelas responsabilidades que tenho assumido em minha vida [me envolvendo cada vez mais com a vida dos meninos, e me sentido menos insegura e despreparada para acolhe-los], e também me tornando mais centrada e convicta de que não preciso fugir.

em breve, por aqui, novos caminhos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

mais um

Não gosto de aniversários - dos meus. Eles me lembram coisas que nem sei bem se vivi, e outras que tenho certeza que sim, mas que doeram um bocado.

Há 25 anos atrás, neste dia, dizem que nasci. Documentaram em papel e todos passaram a acreditar (inclusive eu).

Perdi alguns anos, por causa da dependência química, e da anorexia. Foram longos anos fugindo entre cidadezinhas dos medos que existiam em mim. Passei muito tempo escondendo - ou omitindo - quem eu havia sido, mesmo que lembrando vagamente. Tinha medo de ser julgada, discriminada, apontada. Pois, aqueles que estavam 'perto' de mim, a chamada família sanguínea, não me entendeu. Hoje, nem importa.


Sou fruto de todas as coisas que passei e sem elas não estaria fazendo as coisas que estou hoje, nem seria esta Maira.

Ontem, conversando com uma amiga - que tambem teve uma vida turbultenta no passado:

Maira: Quanto anos vc tem Dani?
Daniela: Acabei de fazer 32
Maira: Vc se sente com 32 anos?
Daniela: Não
Maira: Eu tb, nem diria, que vc tem 32 anos!
Daniela: me sinto com 18 e com 40 ao mesmo tempo
Maira: Sim!
Daniela: Talvez isso tenha um lado bom. Quer dizer, apesar da dor de sentir saudade do que eu não vivi
eu me sinto meio livre da obrigação de ter que aparentar ou me ajustar a uma idade, sabe?
Daniela: Na casa em que eu estou hospedada tem uma menina de 11 anos, que virou minha amiga
e com ela, eu sou quase alguém da mesma idade, sabe?

terça-feira, 14 de abril de 2009

hoje, dia do livro

Havia pensado, inicialmente, de participar de uma blogagem coletiva sobre o livro que foi mais importante na minha infância. Isso seria complicado, aprendi a ler aos 4 anos, aos 5 peguei "O Capital" da estante do meu tio, pensando que era um livro de capitais. Não entendi muita coisa, o que fez com que ficasse mais curiosa e voltasse a folheá-lo por anos.

Gostei muito de ler, em 1995 - aos 11 anos, "Os Mistérios da Casa Cinzenta", que na verdade era do Gabriel. Um livrinho bem legal, que permite ao leitor escolher o desenvolvimento da trama, e seu fim. Ele tinha que ler para escola, e, eu acabei lendo antes dele. Lembro, que em 1996, eu fiz uma releitura para entregar como trabalhinho de Português. Tirei 10 :)

Anos mais tarde, trombei com "Os Noturnos", fase em que eu estava apaixonada pelos lindos vampiros de " A Entrevista com o Vampiro". Dele, roubei uma frase pra minha vida :"O tempo 'e amigo das grandes causas: Alimenta, Alivia, Transforma". Eu tinha 13 anos, era 1997.

Mas, em meio ao tempo, passei grande parte da minha infância em uma biblioteca da minha família-coletivo. Enciclopédias, Literatura, Livros de Ciência. Ao mesmo tempo que eles me fizeram companhia, ressaltavam o tamanho da minha solidão, em uma grande casa, cheia de quarto e de horas intermináveis.

No tempo chamado HOJE, estou trabalhando em um projeto da Editora Moderna, junto com a Bianca Santana, a Mariel, a Mariana, e a Vivianne. Estamos transformando livros didáticos em apresentações para professores. Apesar da intensidade do trabalho, estou gostando bastante. Principalmente pela oportunidade de rever conteúdos e linka-los a fases da minha vida.

HOJE, depois de pegar com a Mariel mais uma parte do material para trabalhar, ganhei um livro. Uma edição especial de Gabriela. Apesar do livro dizer muita coisa, diz ainda mais- pois (no meu caso) pode ser sentido. Também ganhei carinho, de uma cadela preta, que consegue incrivelmente ler minha alma. E, mais uma chance de escrever o que eu quero pra minha vida.

Penso: Todos somos livros-vivos?

Na pagina 119-120, um post-it indica frases sublinhadas:

"
(...)

- Não moço. Sou só no mundo. Meu tio vinha comigo, entregou a alma antes de chegar a Jeremoabo - e riu como se fosse coisa para rir.
(...)

Virou as costas, ia saindo, ouviu a voz atras dele, arrastada e quente:
- Que moço bonito!

Voltou a examina-la, era forte, por que não experimenta-la?
- Sabe mesmo cozinhar?
- O moço me leva e vai ver...
- Quanto quer ganhar?
- O moço 'e que sabe. O que quiser pagar...
- Pra mim, o que o moço disser ta' bom...

(...)

Quando já iam saindo da Estrada de Ferro ele voltou a cabeça e perguntou:
- Como 'e mesmo seu nome?
- Gabriela pra servir o senhor.

segunda-feira, 23 de março de 2009

h20

Ontem foi o dia da agua. Daquilo que procuram para detectar vida, em outros planetas.
Ouvi, que para tentarem suprir as demandas do caótico amontoado cinza SP, querem trazer agua do Aquífero Guarani, de Barra Bonita.

Estranho.

Ha' uns anos tentaram levar agua da Billings para a Baixada Santista.Conseguiram. (conseguiram?!)
As vezes, tenho vergonha de ter um CREA, e compartilhar a mesma categoria 'profissional' com criadores tão inteligentes.

A agua da Billings (lugar que eu cresci) retrocede continuamente, beirando uma praia-doce com quiosques e restaurantes flutuantes. 'E a legislação ambiental, num raio de 30 metros inexistentes, invisíveis, sublimados.

Enquanto isso, sorrateira e livre, a mesma 'agua, desaba do céu, com toda sua IRA.
lindo. Ela destrói, mostra sua forca.


Ontem, no Parque do Ibirapuera, havia uma campanha da Sabesp
Para ganhar uma garrafinha de plástico (sem comentários) com a logomarca de uma empresa que faz divisão de 'contas de agua' em edifícios, era preciso responder:

Se comprasse um apartamento, compraria com conta de agua individualizada por apto, e por que?
meu 'menino' respondeu: eu não compraria um apartamento, eu compraria um chale' numa ecovila na praia.

eu tenho uma garrafinha aqui, mas ainda não consegui mudar para ecovila, na praia.
quero isso logo. quero um mundo com projetos reais.
logo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

a fome, a vontade de comer

A ONU divulgou mais um alerta sobre a Segurança Alimentar Global - atualmente quase um bilhão de pessoas passam fome no mundo, e, dois bilhões são vitimados fome 'oculta'. Ou seja, sobrevivem à base de uma dieta que carece das vitaminas e dos minerais essenciais.

(* gostaria de saber se contabilizaram anoréxicos nervosos e bulímicos, que inegavelmente são produtos da sociedade liquefeita e desigual, em que um ser humano se auto-pune ao não se alimentar)

Em Madri, entre hoje e amanha (26 e 27/01), o secretário geral Ban Ki-moon, e mais algumas pessoas, cheias de protocolos, bem alimentados (as) em seus ternos, e comportamentos previsíveis: "pretendem impulsionar uma resposta coordenada na luta contra a fome e obter mais esforços financeiros, porque é inaceitável que as vítimas da crise mundial sejam os mais pobres".

ok. inaceitável da parte de quem? daqueles que gastam $$ em restaurantes de primeira classe, das redes de fast food, dos produtores-monocultores, ou da empresa de Telecomunicação espanhola que possui o monopólio na terra tupiniquim e remunera muito mal o descentro, mas possui sede no mesmo país que sedia Madri? (...) uhnnn sabe-se-lá.

E, mais: "A iniciativa faz parte do compromisso da Espanha em prosseguir na luta para aumentar a ajuda aos países menos favorecidos".

Acho que cabe um () aqui. Conversando com a irmã Ivete da Cor da Rua, cerca de 1 mes atrás, ela comentava sobre o turismo sexual que ocorre no Nordeste do Brasil, fortemente impulsionado por visitantes espanhóis, que pagam cerca de R$ 0,50 por relação para meninas de 10, 11 anos. Existem outros casos de prostituição e exploração de bens imateriais que a Espanha proporciona, mas não vale citar (...)

Dizem que faz 4 anos que o governo espanhol coopera para o desenvolvimento e situa-se na primeira linha de compromisso com os ODM.

Enquanto isso falamox de coope(e)ração, não da fome, mas da vontade de comer.
Que pena, que tais discursos e medidas assistencialistas evidenciadas de maneira positiva ganham destaque.

No hiper-atual:

"A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue. Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas/ Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida/ Mas não foram cruzados que vieram/Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti".

Como disse um evangelista "não somente de pão vive o homem", e assim recombinamos e sobrevivemos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

patchworks

"(...) mas existe vida, em todos nós, nós da rede, nós em rede (...) um modo de vida, um modo de ser, de estar (...) sei que sou por demais incomodativa. mas, se agente não tira proveito, se a gente não fica em paz com nossa consciência, pra que serve mesmo isso tudo?"

lelex respondendo a efeefe @ I Mutirão da Gambiarra

*Sei que existem pessoas sofrendo em detrimento desse falso conceito de evolução que criamos. No dia 23 de janeiro, a ONU revelou que o número de mortes e perdas econômicas, causadas por acidentes naturais, foi três vezes maior que a média entre 2000-2007.

Em 2008 somaram-se mais de 230 mil mortes, sendo que a Ásia (isso mesmo la' naquele lugarejo em que os 'just do it' sao fabricados, na vizinhança dos nossos aparelhos tecnológicos, e das roupas confeccionadas para os estilistas da Oscar Freire).

A notícia em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2009/0901223i.rm

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/8288.html

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