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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A prática de outras sustentabilidades

Na última terça-feira, 21 de setembro, convidada pela Isban e pela Agência Um, participei de uma das atividades do programa Sustentar. A Isban é a empresa responsável pelo desenvolvimento de tecnologias (software) para os Banco(s) Santander_Real. E o projeto, que nasceu em setembro de 2009, tem como objetivo envolver os funcionários em práticas de sustentabilidade.

Junto com o Fábio de Almeida, realizei uma "pocket" sessão de Ciencine envolvendo três temas relevantes aos dialógos em torno da sustentabilidade: Mobilidade Urbana, Tecnologia e Sustentabilidade e Seu Meio Ambiente.



Pudemos contar com a participação de cerca de 30 pessoas que deram uma pausa em seus compromissos de trabalho para ouvir a sessão. Todos muitos atentos.

Falei um pouco de 23 de setembro, data que marca o início da Primavera no Hemisfério Sul. A estação do ano que representa o reflorescimento, o despertar da vida depois de dias silenciosos de inverno. Uma oportunidade para repensar nossas ações e atualizar as nossas práticas diárias em busca de reduzir os impactos ao meio ambiente e criar novas oportunidades sociais.

Para isso, trouxemos o gancho da entrada da primavera em alusão ao livro e Rachel Carson "Primavera Silenciosa"- uma das publicações mais importantes sobre sustentabilidade. O livro, publicado em 1962, relatou com os defensivos agrícolas (DDT) se acumulavam no tecido adiposo de toda cadeia alimentar.



Décadas depois, a discussão não é apenas latente como mais ampla.
Navegando por páginas de jornais online por aí, eis que acho o linque:

"Cosméticos e itens de higiene ocultam ingredientes que podem prejudicar a saúde"

Estamos florescendo?


*imagem Bruna Lasalvia

sábado, 4 de setembro de 2010

Notas sobre o Lixo (do SWU)

A cerca de um mês conheci o pessoal da Brain4Ideias. Na ocasião eles me convidaram juntamente com o Felipe Andueza para ir até a agência conversar um pouco sobre os conceitos e falácias sobre Sustentabilidade.

Foi uma oportunidade bastante interessante, pois como publicitários atendem a clientes que querem usar o conceito "do ecologicamente correto" para suas marcas e muitas vezes falam mentiras apenas para atrair consumidores (parece que tidos como idiotas de um ciclo hype e verde) fabricam campanhas hilárias e nada coesas.

É o caso do celular que vai erradicar com a Aids, o festival que vai salvar o planeta, o xixi no banho (esse é mais legal) e o apagar as luzes que vai fazer toda-a-diferença. Ah! Ou neutralizar o carbono, elemento encontrado em TODOS os seres vivos.

Voltando...desde aquele dia tenho conversado com o pessoal da Brain4Ideas, pois acho que pode ser uma via interessante tentar influenciar e construir alguns caminhos de verdade - desde que as marcas estejam dispostas - e trabalhar com uma agência mediando isso.

Numa dessas conversas a Tamara Limberte me enviou esse vídeo...



E pediu minha opinião. Lá vai:

Sinceramente não procurei me aprofundar na história: o que é, pra quê, por quê, pra quem, do SWU. Simples...não acredito que levar um monte de gente pra uma cidade do interior de São Paulo, mobilizar custos cabulosos de produção, indústria cultural do copyright, cenário, transporte e hospedagem seja sustentável. Gente, isso é piada, né?!

Mas tudo bem. Eles reciclam lixo.
Sim, é verdade.
O videozinho é legal, embora os @recicleiros tenham um site em flash que não abriu no meu FireFox, provavelmente sob Copyright. Oi?! Eles prestam consultoria em Sustentabilidade, mesmo (site com.br)? Certeza?

Reciclagem sozinha não resolve mais nada.
Aliás, nunca resolveu.
Vejamos a cadeia toda.

1 - O Mundo em pactotes: Tudo é embalagem! Existe até queijo embalado fatia-a-fatia. O padrão de vida individualizado aumentou a produção de embalagem, a produção de lixo. O culto ao higienismo exacerbado colocou até selinho na tampa de cerveja. As coisas estão sendo feitas para durar pouco, antes que você deseje outra.

2 - Cata_dores: Os materiais reciclados na maioria das vezes são coletados por trabalhadores informais, que não possuem sua atividade registrada e regulamentada em lugar algum. Perambulam pelas ruas sem segurança, proteção e ganham pouco. Isso quando os depósitos não pegam fogo.

3 - A capacidade de reciclar nos centros urbanos, como São Paulo, por exemplo, é LIMITADA.

4 - Quanto ao lixo não reciclável: quem fará uma composteira?

5 - Na sua rua tem um conteinerzinho de lixo reciclável e não reciclável dos @recicladores? Na minha não tem? Eu tenho que ligar e solicitar, é isso? E nas outras localidades, #comofaz?

*p.s - o vídeo não esta em Creative Commons ou em qualquer outra licença livre.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

supra_sumos

A Assessoria de Imprensa do MST divulgou uma nota sobre o ato em Iaras (SP). Denunciando que a área ocupada possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja. Disse que a ocupação teve como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos.

"Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras. A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão."

O que eu penso sobre:

Todo mundo ressalta imagens dramáticas das laranjeiras foram derrubadas, mas poucos falam por exemplo (da imprensa, digo) das árvores cortadas para ampliação da Marginal em SP. Por que uma laranjeira da Cutrale vale mais do que uma Quaresmeira que serve como lar para aves, produz sombra, captura carbono?
Isso, não faz sentido! Esses valores distorcidos "ecologicamente corretos".

Antes daquele lugar ter laranjeiras foram desmatados hectares e hectares de mata nativa para apropriação da Cutrale. E, acredite: sim! A Cutrale poderia ter trabalhado em sistema de agrofloresta, sem derrubar as "outras" árvores. Contudo, criou pasto, pra plantar e vender laranja sob um logo.
Quando tal ato ocorreu a imprensa deu enfoque ou disse que o Brasil estava perdendo mata nativa e que a mesma prestava serviços ambientais?


Entretanto, como a Fabi Balvedi disse em uma troca de emails sobre o fato, na lista do #submidialogia:
"(...)um erro não justifica outro. Mesmo que as laranjeiras tenham sido plantadas pela cutrale, elas em si são inocentes. (...) a imagem de um trator passando por cima de árvores é horrível, e deu à mídia uma arma poderosíssima para estimular a antipatia ao movimento. Tem gente que nunca foi contra o MST que ontem estava indignada e achando que o movimento perdeu o rumo".

Btw, o simbolismo-clichê de "derrubar" 5 mil árvores pode ter prejudicado o MST.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

the loaded gun

Na semana que passou, o pessoal do coletivo ecologiaurbana postou isso.

E, sugiro que antes de continuarem o texto leiam esse outro post aqui :)

Conheci a Mari Tamari, no #cparty de 2008, ela estava fazendo um freela pro Radar Cultura e foi me entrevistar. A entrevista virou uma conversa de horas, e ao final dela, a Mari sugeriu que eu conhecesse o ecologiaurbana. Na época, a Petrobras estava patrocinando 'minha área no evento', a #cverde, que concorre em bizarrices 'green mkt' ao competir com petrolíferas, marcas de luxo, e outros.

O pior foi a contrapartida oferecida pelo budget: o evento, "reflorestaria a Amazonia".

Eu fiquei pensando, e ainda penso muito, na capacidade/honestidade de quem leu esse projeto, e no quão legal a pessoa que liberou essa quantia (de meio milhão) achou que isso seria (tanto para o meio ambiente, quanto para imagem da estatal).

Minha experiência com a Petrobras = Uma temporada na Vila Siri, em Cubatao, no ano de 2002.
Ou seja, a perspectiva do sofrimento real das pessoas não me deixa iludir por belas direcoes de arte, e frases sonoras narradas por Fernanda Montenegro. Eu era uma menina de 17 anos, em meio ao desespero, a pobreza, ao descaso. nonada.

A lista ecologiaurbana recebeu um breve estudo de impacto social gerado pela implementação do "desenvolvimento@petrobras", (cujos trechos seguem abaixo). O documento completo pode ser baixado no link do final desse post. Um micro-exemplo, do modelo 'ouro negro' como salvação pra crise.


"Em 1996, a Petrobras iniciou uma série de obras com o objetivo de explorar as potencialidades de gás natural e petróleo existentes no Amazonas ( que abriga grande parte da maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica). Coari foi ligada a Urucu por ser a cidade mais próxima da base petrolífera, beneficiando-se com a arrecadação de royalties.

A população que antes era uma típica cidade do interior amazonense, com uma vida pacata e poucas opções de lazer, tornou-se uma cidade mais agitada e com maior movimentação de pessoas que vieram para a cidade, em sua maioria, para trabalhar nas empresas prestadoras de serviço da Petrobras.

O orçamento do município gira em torno de 13 a 14 milhões mensais, sendo 4 milhões de royalties. Sendo assim, ainda é grande a dependência ao município, e a renda não é bem distribuída, concentrando-se em alguns setores. A renda per capita, segundo informações da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (CONTAS MUNICIPAIS DO ESTADO DO AMAZONAS, 2006), que em 1998 girava em torno de 4.041,34 (em reais), em 2004 atingiu o valor de 28.636,60 (em reais), demonstrando que houve um considerável aumento na renda do município. Apesar disso, ainda é possível observar, segundo os gestores públicos, uma forte concentração de renda".


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baixe aqui o doc completo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desconstrucionismo

Estranhamentos...nunca ditos. Ficam nas entrelinhas da violência 'não dolorida', junto com as ironias e desrespeitos que se escondem em sorrisos e hiper-presentes dos colonizadores (...)

E, assim, a se Terra liquefaz pra que um dia, talvez, consiga se recuperar: o aquecimento global, o congelamento da economia. A morna verborragia, confortavelmente digita, cobre acontecimentos e nada faz para mudar. Um simulacro de fluxos, de palavras, de logins, de novas mercadorias. De todas elas. Tudo isso bem velado, enquanto os campos mórficos soam bem mais eficazes que qualquer mobilidade top-top (basta aceitar a sincronicidade).

Entre ladainhas e pseudo ideais calmos, como descanso de telas, os discursos dos "representantes" tornam-se um mantra (como os da massa entoados nos shows dos pop-stars globai$) para o Mundo Melhor. Agora, enquanto o Oriente esfacela-se, Obama aparece como messias.

Causam-me inquietações os lances da 'aposta' que um mero mortal, equacionará a questão climática - que ainda não foi tratada por ninguém, por nenhum órgão governamental nas devidas proporções que merece. E, quem seria off governo? A instituição bombardeada, ou aquele trend que concede premiações-Oscar's? Não são blablablas, nem se sua maquiagem derreterá por causa do calor, ou similar.

Discutimos (sobre milhares de vidas sofrendo mais, enquanto algumas minorias sofrem menos - mas por pouco tempo). Vetores de doenças, pandemias, epidemias, segurança e seguridade alimentar, entre outras coisas. Quem cita essas coisas? Quem aborda a extração de areia X desmoronamento do leito de rios X construção civil. Como o caso Tuamiflu @ Roche, que foi estancado, pra sempre, e mora no limbo, junto com tantas outras surrealidades.

Dizem que daqui 11 meses, mais de 190 países , os da "Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas", vão se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para decidir o substituto do Protocolo de Quioto.

Qualquer coisa ser melhor que a atual...
Deveria ser assim? E, com apenas um antagonista?

Os Public Relations querem decidir a equação reguladora do sistema vivo Terra, em frases disléxicas que propõem assinaturas com canetas bem caras, conduzidas por mãos de governantes em seus ternos Gucci, com assessores e cerimoniais. fake.

E, (...)continuam sobrevivendo no Atol de Bikini.
Fortes e luminescentes, como as sinuosas algas.



Na minha opinião o enfoque deveria ser: "o que podemos fazer para que menos seres vivos sofram, enquanto a Terra tenta compor um algoritmo perfeito de caos-regeneração"? Mas, quem sou eu pra ter uma opinião correta? Existem opiniões corretas? Existem opiniões? A resposta, caso ela realmente exista, não relataria enredos sobre neutraliza-ação de carbono - pois como aprendemos desde criancinhas, 'carbono: o elemento essencial a vida'.


Contudo, o que constrói, destrói.
E, vice-versa.

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