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domingo, 25 de julho de 2010

a ressurreição do figurativo

.a imagem

é uma realidade profunda que deforma uma realidade profunda
ausência de uma realidade profunda que tem relação alguma com a realidade


assista aqui
, leia esse ;)


crie conceitos de falsos moralismos, mas não para a mulher que você vê.
ela não é o que você enxerga.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

transcende/acende

"no one can stop us now
'cause we are all made of stars"
@ moby


Vivemos todos como aglomerados de Omega Centauri, recombinando brilhos feitos de seiva bruta da vida que criou o universo.




Omega Centauri fica a 17.000 anos-luz da Terra, brilha com a luz combinada de 2 milhões de estrelas, e está entre os maiores enxames globulares orbitando a Via Láctea.

Alguns egoísmos e vaidades se tornam óbvios diante de coisas assim.

Fogos artificiais, pra quê?


*esse post vai pro #mutsaz! de dezembro :)

Imagem de junho de 2002 @ NASA, ESA, e do Hubble Heritage Team, STScI / AURA

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

aka dpadua

das muitas coisas que um dia o dpadua escreveu:

"Era uma mulher que, ao suspirar,
colocava o raio, a terra e o ar,
sob o poder do fogo e da água,
e disso gerava a onda.

Uma onda ligando tudo a todos.
por onde mandava lembranças,
percebia sorrisos e lágrimas,
e repensava a si mesma.

mulher -> matéria -> onda
lembrança -> sorriso -> mudança

A força de seu coração mantinha uma rede
inteira de corações reunidos.

Pobre dela. Foi aprisionada.
E agora?

FIM"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

vila

Hoje, num surto repentino decidi visitar a Vila em que os pais do meu pai moraram durante todo o período em que estiveram casados. Tipo, uns 50 anos.

O pai dele, Wilson, filho de imigrantes portugueses, analfabeto, veio de navio.
Sua mãe, Maria, vinda da Espanha, também era analfabeta.

Imaginem: muitos dias viajando no mar em condições precárias, em busca de uma vida melhor num lugar que nem sabiam como era. Surreal.

E, pelo caos essas vidas se encontraram, em algum momento da vida.
Acreditaram que poderiam tecer coisas juntos, desembaraçar desejos, sonhar com coisas.

Fizeram 6 filhos, todos nascidos em casa. Sem planejamento, sem escolas particulares, cursos, ou seguro saúde.

Maria trabalhou criando os filhos a vida toda. Tinha uma rotina limitada, pouco conheceu do mundo, não costumava fazer coisas sozinhas, nem mesmo ir até a padaria.

Wilson trabalhou como muitas coisas: fez panelas, foi feirante, e antes de adoecer fabricava produtos de limpeza no fundo do quintal e os vendia em uma kombi branca.

Convivi com eles até meus 11 anos de idade, quando Maria faleceu repentinamente em uma noite de dezembro de 1995. Wilson havia falecido um ano antes de câncer na próstata.

Estranho entrar numa vila, cuja parede data de 14/04/1954 (30 anos, 1 mês e 5 dias antes d'eu nascer), com algumas casinhas reformadas, outras intactas da época da minha infância. Lembrei de esconde-esconde, pega-pega, de querer comer biju vendido por andarilhos. Coisas assim.

Tive muitos primos, de diferentes idades. Pouco contato com a maioria. Hoje não os vejo há tempões.

Pensei em tocar na casa que moraram.
Mas desencanei.
O portão de madeira que tanto cuidavam foi trocado por um tétrico e grande de ferro-feio. bleh.

Falei com a Dona Elfe, uma senhorinha branquíssima, descendente de alemães, nascida em Santa Catarina que aprendeu a falar português apenas aos 20 anos. Lembrei que ela me dava biscoitos, e ela disse ainda com as crianças da vila.

Passei pouco tempo naquele lugar, ou talvez não.
Nesses dias minha percepção foi perversamente alterada.
Ou seria refeita? Ou destruída?
Vai saber.

A casa dos pais do meu pai sempre apresentou uma realidade bem diferente do lugar em que vivia. Era uma casa humilde, em que compravam e armazenavam comida, coisas de tempos difíceis.

Meus tios passavam por muitas dificuldades, outros por problemas que eu achava legais.
O meu tio mais velho, por exemplo, trabalha como bicheiro, foi preso algumas vezes e "comercializa coisas", hoje tem 70 anos (mesma idade da mãe da minha mãe). E, fica desde que me lembro do mundo, numa esquina com o talãozinho de jogo e seus cachorros. Hoje mora no andar de cima de um galpão do meu pai.

Enfim...

Fui embora com muitas/algumas perguntas:

Quem eu seria hoje se tivesse sido criada pela família de meu pai?

Como minha avó materna viveria no mundo de hoje?
[*Sendo mulher não consigo me visualizar sob as mesmas condições que ela viveu.]

Mas, ao mesmo tempo pensei:

O que é preciso para ser feliz?

Não sei se minha avó desejava algo mais do que ter muitos filhos e uma casa.
Certamente não tinham ânsia pelo dinheiro, mas em nutrir uma família.

E, fico pensando aqui...
Ainda existem famílias hoje?

Fui embora com a sensação de ter preenchido algo.
Não sei o que.

sábado, 21 de novembro de 2009

intense_trivial

Dizem que os mitos são feitos por estórias ou histórias que alguém contou, imaginou ou escreveu. Mas, existem mitos que demoram certo tempo para serem documentados. Alguns outros nunca serão.

Então, resta andar nas rodas gigantes luminosas, nadar no mar em dias de chuva nublados, e cantar para instigar o silêncio sereno, de tudo aquilo que pulsa no momento como um anagrama secreto da alma que um dia foi intensamente codado.


"Drink me, make me feel real
Wet your beak in the stream
Game we're playing is life
Love is a two way dream"
@Bjork



"Words like violence, break the silence
Come crashing in, into my little world
Painful to me, pierce right through me
Can't you understand, oh my little girl

All I ever wanted, All I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm

Vows are spoken, to be broken
Feelings are intense, words are trivial
Pleasures remain, so does the pain
Words are meaningless, and forgettable

All I ever wanted, all I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm


Enjoy the silence..."

Martin Gore @ Depeche Mode

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O mito de Tainá



Esse post participa da Blogagem Coletiva da MetaReciclagem de outubro.

Era 2002, Tainá a menina-índia que havia nascido em 26 de janeiro de 2001, ou seja há quase 2 anos, crescia. Viva há alguns quilômetros do lugar que foi considerado como "a primeira vila" de uma terra tupiniquim. Do seu quarto, quando deitada no berço podia ver um morro de mata nativa intacto, e um sol poente laranja intenso, incandescente.

Era 12 de outubro daquele ano, e eu havia tomado muito sol. No final da tarde sentia frio, vestia uma blusa branca, uma saia azul, andava em uma bicicleta azul com estrelas fluorescentes. Segui sem rumo, livre. Acreditava que aquilo era a liberdade. Meu cabelo crescia, fazia um ano desde que o havia raspado todo e com assim queimado um passado que não me pertencia mais.

Antes da noite chegar, subi ao andar mais alto do prédio. Tainá dormia. Sua mãe me mostrou o mar daquele alto lugar, sublime. Me disse que gostaria de levá-la brincar na Roda Gigante, no verão do ano seguinte. Naquele momento, aos 18 anos de idade, percebi que ainda era criança e que talvez desejasse ser para sempre.

Passou um ano, em outubro de 2003 a mãe de Tainá faleceu.
Coincidentemente nunca mais a Roda Gigante esteve em frente ao prédio.
Conta a lenda que A mãe guarda o desejo de brincar com Tainá, na eternidade, junto com o smog da madrugada que cobre o mar todos os dias, antes do dia virar dia quando todos os pássaros brancos se encontram sobre as rochas no canto-fortaleza.

Desde então, todo dia 12 de outubro Tainá sonha com as luzes intensas de uma Roda Gigante, alocada na areia, em frente ao prédio alto. Um sonho absurdamente real. Do alto da Roda, Tainá pode avistar as luzezinhas dos navios no mar e sentir a presença de sua mãe.

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