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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

about09

These are the words I never said
This is the path I'll never tread
These are the dreams I'll dream instead
This is the joy that's seldom spread
The tears we shed
This is the fear
This is the dread
These are the contents of my head
And the year that we have spent
And this is what this represent
And this is how I feel

Why @ Annie Lennox

domingo, 20 de dezembro de 2009

nem todas as proparoxítonas são acentuadas

e, assim, a palavra invariavelmente não existe.


car common's:
mais uma para as pessoas não acreditarem...
ontem deixaram um Renault Megane novinho em frente a minha casa, com as chaves na porta.
pois é.
apesar da imensa vontade não peguei pra dar uma volta. peguei as chaves e fui procurar o dono nas imediações.
mas, fiquei com a esperança de commons possíveis :P


conversa de outro carro

acho que consegui voltar a correr: sexta, ontem e hoje.
:)

(...) e, voltando do Ibirapuera, hoje pela manhã, estava parada no semáforo da Sena Madureira, ao meu lado um carro com o pai e uma filha.

Falaram:

pai: "sua mãe precisa arrumar uma namorado"
filha: " ela tem um, namora pela internet"
pai: "mas ela não encontra ele?"
filha: " não, só pela internet"

Eu ri.
Eles ouviram, me olharam.
O semáforo abriu.
Fui embora.
[sei...]


#perdeu

não acho: passaporte, CREA, CNH.
bleh.


pai

Meu pai vai mudar de cidade, veio contar antes de ontem.
Comentei sobre isso com ele e sobre isso - não é ele.

em nota: bizarro alguém se passar por meu pai no twitter.

Voltando...meu pai me chamou [depois de 25 anos] para morar com ele em Jundiaí.
Desde sexta-feira estou pensando na possibilidade.
Eu poderia cuidar de jardins, ter uma vida mais calma...aos poucos tentar articular projetos pela Veredas...
E começar, mais uma vez, outra estória - a minha em São Paulo liquefez.


#feliz

com os rumos e possibilidades do #mutgamb


#good trip

pela primeira vez em 11 anos não vou viajar.
preferi ficar aqui.
veremos.


segue o mantra: "saudade é coisa boa, a gente só sente daquilo que faz bem"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

vila

Hoje, num surto repentino decidi visitar a Vila em que os pais do meu pai moraram durante todo o período em que estiveram casados. Tipo, uns 50 anos.

O pai dele, Wilson, filho de imigrantes portugueses, analfabeto, veio de navio.
Sua mãe, Maria, vinda da Espanha, também era analfabeta.

Imaginem: muitos dias viajando no mar em condições precárias, em busca de uma vida melhor num lugar que nem sabiam como era. Surreal.

E, pelo caos essas vidas se encontraram, em algum momento da vida.
Acreditaram que poderiam tecer coisas juntos, desembaraçar desejos, sonhar com coisas.

Fizeram 6 filhos, todos nascidos em casa. Sem planejamento, sem escolas particulares, cursos, ou seguro saúde.

Maria trabalhou criando os filhos a vida toda. Tinha uma rotina limitada, pouco conheceu do mundo, não costumava fazer coisas sozinhas, nem mesmo ir até a padaria.

Wilson trabalhou como muitas coisas: fez panelas, foi feirante, e antes de adoecer fabricava produtos de limpeza no fundo do quintal e os vendia em uma kombi branca.

Convivi com eles até meus 11 anos de idade, quando Maria faleceu repentinamente em uma noite de dezembro de 1995. Wilson havia falecido um ano antes de câncer na próstata.

Estranho entrar numa vila, cuja parede data de 14/04/1954 (30 anos, 1 mês e 5 dias antes d'eu nascer), com algumas casinhas reformadas, outras intactas da época da minha infância. Lembrei de esconde-esconde, pega-pega, de querer comer biju vendido por andarilhos. Coisas assim.

Tive muitos primos, de diferentes idades. Pouco contato com a maioria. Hoje não os vejo há tempões.

Pensei em tocar na casa que moraram.
Mas desencanei.
O portão de madeira que tanto cuidavam foi trocado por um tétrico e grande de ferro-feio. bleh.

Falei com a Dona Elfe, uma senhorinha branquíssima, descendente de alemães, nascida em Santa Catarina que aprendeu a falar português apenas aos 20 anos. Lembrei que ela me dava biscoitos, e ela disse ainda com as crianças da vila.

Passei pouco tempo naquele lugar, ou talvez não.
Nesses dias minha percepção foi perversamente alterada.
Ou seria refeita? Ou destruída?
Vai saber.

A casa dos pais do meu pai sempre apresentou uma realidade bem diferente do lugar em que vivia. Era uma casa humilde, em que compravam e armazenavam comida, coisas de tempos difíceis.

Meus tios passavam por muitas dificuldades, outros por problemas que eu achava legais.
O meu tio mais velho, por exemplo, trabalha como bicheiro, foi preso algumas vezes e "comercializa coisas", hoje tem 70 anos (mesma idade da mãe da minha mãe). E, fica desde que me lembro do mundo, numa esquina com o talãozinho de jogo e seus cachorros. Hoje mora no andar de cima de um galpão do meu pai.

Enfim...

Fui embora com muitas/algumas perguntas:

Quem eu seria hoje se tivesse sido criada pela família de meu pai?

Como minha avó materna viveria no mundo de hoje?
[*Sendo mulher não consigo me visualizar sob as mesmas condições que ela viveu.]

Mas, ao mesmo tempo pensei:

O que é preciso para ser feliz?

Não sei se minha avó desejava algo mais do que ter muitos filhos e uma casa.
Certamente não tinham ânsia pelo dinheiro, mas em nutrir uma família.

E, fico pensando aqui...
Ainda existem famílias hoje?

Fui embora com a sensação de ter preenchido algo.
Não sei o que.

sábado, 21 de novembro de 2009

intense_trivial

Dizem que os mitos são feitos por estórias ou histórias que alguém contou, imaginou ou escreveu. Mas, existem mitos que demoram certo tempo para serem documentados. Alguns outros nunca serão.

Então, resta andar nas rodas gigantes luminosas, nadar no mar em dias de chuva nublados, e cantar para instigar o silêncio sereno, de tudo aquilo que pulsa no momento como um anagrama secreto da alma que um dia foi intensamente codado.


"Drink me, make me feel real
Wet your beak in the stream
Game we're playing is life
Love is a two way dream"
@Bjork



"Words like violence, break the silence
Come crashing in, into my little world
Painful to me, pierce right through me
Can't you understand, oh my little girl

All I ever wanted, All I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm

Vows are spoken, to be broken
Feelings are intense, words are trivial
Pleasures remain, so does the pain
Words are meaningless, and forgettable

All I ever wanted, all I ever needed
Is here in my arms, words are very
Unnecessary, they can only do harm


Enjoy the silence..."

Martin Gore @ Depeche Mode

terça-feira, 10 de novembro de 2009

aka hobsbwam

"O propósito de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar de todas as pessoas, assim como a legitimação do Estado é seu povo e não seu poder. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para criar sociedades boas, humanas e justas. O que importa é com quais prioridades combinaremos os elementos públicos e privados em nossas economias mistas. Esta é a questão política-chave do século XXI."

Eric Hobsbawm

domingo, 8 de novembro de 2009

Relatos de Vivianne

Por Dani Araújo

"tinha uma angústia dentro de mim, que acho que começou a surgir na época que surgiu o TA. Desde então eu tocava minha vida entre remendos, fazendo coisas que, literalmente, eu sabia que estava enchendo um tempo, mas que não estava fazendo o que eu queria. Eu esperava e acreditei muito em achar pessoas com quem pudesse fazer algo pra mudar as coisas. Não sei como isso acontece, acho que é como achar seu melhor amigo no primeiro dia de aula; é inexplicável. Talvez seja metafísico, não sei..."

"(...) de tudo isso, agradeço pela vida ter me dado a oportunidade de viver intensamente todas as dores e alegrias, que o TA e tudo me trouxeram caminhos únicos, e que a mágica de tudo isso é viver nesse limite, tendo a consciência de que posso errar e voltar pra trás, mas a responsabilidade é minha."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

imensos

dias intensos
estou envolvida em novos projetos, aprendendo a entender alguns fluxos, a jogar alguns jogos.
dias de estranhamento.

diante de impasses imensos de mais pro meu pequeno ser, fui encantada por uma imagem: a do centro da Via-Láctea.


dias intensos.

"O mosaico de 88 imagens do Chandra mostra um instantâneo de diversos estágios da evolução das estrelas, contendo desde jovens estrelas brilhantes a buracos negros, em um ambiente hostil, dominado por um gigantes buraco negro". (daqui)

analogias, analogias.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

eu_metarec




Oi!Esse post faz parte da Blogagem Coleltiva "Dia da in(ter)dependência", da MetaReciclagem.


Esses dias tive a oportunidade de revisitar, escrever, editar, ler, e pirar em muitas coisas do arquivo da rede. Por isso, foi complicado decidir o que iria escrever/postar. Cheguei a separar muitos links, escrever e deletar - muitas vezes. Mas não estava bom.

Como propusemos a questão da interdependência, pensei que seria interessante (ah tudo bem, interessante é pretensioso demais, então, divertido) aplicar esse termo para eu_no_metarec.

Foi uma inquietacação simples, embora presente em muitos dos materiais que li: ninguém participa de uma rede isolado ou sozinho, ninguém faz parte de um coletivo se não compartilha de algumas atitudes, princípios e identidades.

Googleei meu primeiro email para lista, e apliquei um exercício comum ao meu dia-a-dia, o de não me prender aos fatos do passado, mas construir um futuro novo para poder olhar as coisas de outra perspectiva. O efeefe usou uma expressão: "passado fluído"

eis uma parte do meu:

Em 26/01/08, Maira Begalli, escreveu:
>
> Olá, Meu Nome é Maira Begalli, tenho 23 anos.
> Fui convidada pelo Felipe para entrar aqui ;)
>
> Sou jornalista e Gestora Ambiental, terminei minha pós em Comunicação
> Jornalistíca, voltada para apropriação da mensagem no multimídia.
> Trabalhei como assessoria de moda internacional por 5 anos. Nunca gostei
> do que fazia pelo niilismo do meio, pela pandemia do eucentrismo que domina
> o habitat fashionista. Porém, aprendi muita coisa, como analisar a
> sociedade, como ver várias coisas que ficam escondidas de muitos. Fiz
> contatos importantes, daí em julho/07 decidi parar porque não aguentava
> mais. Era como seu eu tivesse um alterego, e não sabia o porquê fazia
> aquilo.Daí começei a fazer freelas, estou como correspondente de uma
> revista digital de Portugal muito bacana - que ainda não foi lançada - e
> busco consolidar algo agora.
>
> Bom, meu projeto tem a ver com a Era da Iconofagia, que é latente na
> sociedade contemporânea, nela as pessoas foram engolidas por imagens
> midiáticas, que propunham sonhos e significâncias em uma linguagem rasa e
> instantânea.
>
> Ícones que se tornaram mediadores das mensagens e hipnotizadores ao mesmo
> tempo. Isso é mais latente nos jovens, que foram mais expostos a linguagem
> publicitárias - que por sua vez se apropriou da arte (esta intrínseca ao
> homem) - mais do que qualquer outra geração.
>
> Esses meios criaram mensagens globais, não mais de comunicação ou
> informação, mas de exposição. A maxíma do Espetaculo de Debord do que só é
> bom aparece, e todas as coisas boas passaram a ser ligadas com experiências
> de marca e consumo. O portal que o SPFW (www.spfw.com.br) fez isso. Ele se
> apropriou dos conceitos de colaboratividade, que nós defendemos e estudamos.
> E criou o My SPFW (porque todo mundo quer ser famoso e lindo).

Hoje reconheço algumas parte de texto, naquela época eu estava bem mais perdida, buscando novas possibilidades, buscando não caminhar mais sozinha, de poder ajudar e ser ajudada.

Um ano e meio é relativamente pouco tempo, mas de lá pra cá consegui desviar para alguns lugares legais. E, dentro desse período estabeleci alguns vínculos importantes com pessoas da rede. Pessoas com quem pretendo cultivar projetos, sonhos, vidas livres.

Agora, se tudo isso é existe? Jardinando, descobri que "depende" :P.

em 13/07/2004

efeefe: Na prática o nome MetaReciclagem é uma bandeira pirata, usamos quando necessário pra subverter preconceitos mentais de pessoas que ainda pensam como no século XX - a marca Kolynos é dentes brancos, a marca Omo é roupas brancas, a marca Medellin é outras coisas brancas. Não podemos acreditar no poder da marca. Não podemos levar “o metareciclagem” a sério, porque nada pode ser levado a sério. Essa correria toda que a gente faz é só o começo de uma pusta época de inovação. Anota aí: daqui a sete anos a gente vai olhar pra trás e rir. Ou chorar. Não podemos acreditar que o que já fizemos até agora é a grande revolução. Essa ainda nem começou.

amigo do fernando: Quando falo do grupo para pessoas de fora, chamo de “metareciclagem”,

efeefe: Perfeito. Estratégia pirata.

amigo do fernando: quando saio de casa para encontrar o grupo digo a minha mãe que fui encontrar o “metareciclagem” pois se disser que fui ao encontro do grupo que não existe ela pode achar que estou com febre.

efeefe: Melhor ainda.

amigo do fernando: Não leve muito a sério essa história do grupo que não existe, o grupo existe mesmo sem existir, é inevitável.

efeefe: Sim. Existe e depois inexiste. E existe como conceito com todo mundo que quer conversar sobre tecnologia social. E existe como identidade de um grupo de pessoas que está trabalhando em menos de meia dúzia de projetos.

domingo, 6 de setembro de 2009

lunar

dizem que ela cresceu em um lar caótico, que nunca teve uma noção de família...
por isso passou a observar os meios em que vivia, e trouxe essa experiência para sua vida adulta.
não tinha medo de nada, exceto de sua própria imagem.

passou, então, a encantar lobos. ou, talvez, os lobos passaram a encantá-la.
comentam que fez um pacto com a lua. mas não foi bem assim.
vendo ela inquieta, e sabendo que ficaria ainda mais solitária, a Lua decidiu lhe fazer companhia.
enviou uma guardiã, que proporcionaria refúgio para sua alma enquanto vivesse.
deu-lhe o nome de Luna

Luna chegou com uma vela de baunilha, em uma madrugada repleta de ozônio de outubro em 1994.

dia desses Luna apareceu novamente, lhe entregou uma chama azul
o azul trazia a intensidade do mar, durante as noites de outono
o fogo iria destruir e renovar tudo, outra vez, pra sempre.

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