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terça-feira, 28 de setembro de 2010

#proescolha



OBSERVE, AVALIE: A questão da legalização do aborto trata mesmo do direto de "não-morrer"?



*fonte aqui

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

pacotes promocionais

efeefe mandou link na lista do textinho do hakim bey "Superando o Turismo"

"O que é realmente incrível é que tão poucos turistas tenham sido assassinados por tal mísero punhado de terroristas. Talvez uma cumplicidade secreta exista entre esses reflexos opostos. Ambos são gente sem lugar, soltos de todas as âncoras, à deriva num mar de imagens. O ato terrorista exista apenas na imagem do ato - sem a CNN, sobrevive apenas um espasmo de crueldade sem sentido. E os atos do turista existem apenas nas imagens desse ato, os instantâneos es ouvenir s; de outro modo nada resta a não ser as cobranças em cartas de companhias de cartão de crédito e um resíduo de "milhas grátis" de alguma companhia aérea em colapso. O terrorista e o turista são talvez os mais alienados de todos os produtos do capitalismo pós-imperial. Um abismo de imagens os separa dos objetos de seu desejo. De uma forma estranha, eles são gêmeos".

Ex-policial sequestra ônibus com 25 nas Filipinas e é morto

Mídia internacional relata tensão e pânico em hotel no Rio

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

transcende/acende

"no one can stop us now
'cause we are all made of stars"
@ moby


Vivemos todos como aglomerados de Omega Centauri, recombinando brilhos feitos de seiva bruta da vida que criou o universo.




Omega Centauri fica a 17.000 anos-luz da Terra, brilha com a luz combinada de 2 milhões de estrelas, e está entre os maiores enxames globulares orbitando a Via Láctea.

Alguns egoísmos e vaidades se tornam óbvios diante de coisas assim.

Fogos artificiais, pra quê?


*esse post vai pro #mutsaz! de dezembro :)

Imagem de junho de 2002 @ NASA, ESA, e do Hubble Heritage Team, STScI / AURA

domingo, 13 de dezembro de 2009

hoje, anos atrás nascia minha irmã.

e, o dia amanheceu chuvoso.



não sei se amanheceu chuvoso, propositalmente,
como que instruindo o tempo, mandando eu ir pr'aí
pra como sempre e de costume, tomarmos chuva enquanto andamos na rua,
com guarda-chuvas sendo virados pelo vento que vem do mar e balança os coqueiros.

mas não fui.
mais uma vez, não fui materialmente.
tenho saudade do nosso banco,
do lugar que considero minha casa.
me sinto perdida aqui.

hoje não vamos comprar pirulitos de coração.
nem passar trotes e anotar no caderno que temos desde 1995.
ou ficar na frente da joalheira do senhorzinho bizarro que pinta o cabelo.

uma escolha, uma pessoa que encontramos e nossa vida muda toda

um dia, inverno, julho.
uma menininha, a Pâmela.
no dia seguinte achei você.

mistério da vida, esse encontro de pessoas.
mesmo.

são muitos causos os nossos,
coisas de quem cresceu junto, de quem passou por coisas boas e ruins.
de adotar cachorros,
de fazer meninos latirem,
ou de fazer websites nossos sinistros
de brigas e trios-elétricos.
de nascimentos e mortes.
tudo junto,
intenso.

quem nunca achou um irmão pela vida,
talvez, jamais entenda o que estou dizendo.
porque amar pessoas não é uma coisa simples de ser expressa em palavras.

desejo que hoje:

nade na chuva,
pegue carona em carros de desconhecidos,
provoque todos os meninos,
entre contra mão em todas as ruas,
escute todos os funks baratos,
vire sorvetes na avenida grande.

. seja pra sempre

[imagem de casa @ paulo brabo]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

vila

Hoje, num surto repentino decidi visitar a Vila em que os pais do meu pai moraram durante todo o período em que estiveram casados. Tipo, uns 50 anos.

O pai dele, Wilson, filho de imigrantes portugueses, analfabeto, veio de navio.
Sua mãe, Maria, vinda da Espanha, também era analfabeta.

Imaginem: muitos dias viajando no mar em condições precárias, em busca de uma vida melhor num lugar que nem sabiam como era. Surreal.

E, pelo caos essas vidas se encontraram, em algum momento da vida.
Acreditaram que poderiam tecer coisas juntos, desembaraçar desejos, sonhar com coisas.

Fizeram 6 filhos, todos nascidos em casa. Sem planejamento, sem escolas particulares, cursos, ou seguro saúde.

Maria trabalhou criando os filhos a vida toda. Tinha uma rotina limitada, pouco conheceu do mundo, não costumava fazer coisas sozinhas, nem mesmo ir até a padaria.

Wilson trabalhou como muitas coisas: fez panelas, foi feirante, e antes de adoecer fabricava produtos de limpeza no fundo do quintal e os vendia em uma kombi branca.

Convivi com eles até meus 11 anos de idade, quando Maria faleceu repentinamente em uma noite de dezembro de 1995. Wilson havia falecido um ano antes de câncer na próstata.

Estranho entrar numa vila, cuja parede data de 14/04/1954 (30 anos, 1 mês e 5 dias antes d'eu nascer), com algumas casinhas reformadas, outras intactas da época da minha infância. Lembrei de esconde-esconde, pega-pega, de querer comer biju vendido por andarilhos. Coisas assim.

Tive muitos primos, de diferentes idades. Pouco contato com a maioria. Hoje não os vejo há tempões.

Pensei em tocar na casa que moraram.
Mas desencanei.
O portão de madeira que tanto cuidavam foi trocado por um tétrico e grande de ferro-feio. bleh.

Falei com a Dona Elfe, uma senhorinha branquíssima, descendente de alemães, nascida em Santa Catarina que aprendeu a falar português apenas aos 20 anos. Lembrei que ela me dava biscoitos, e ela disse ainda com as crianças da vila.

Passei pouco tempo naquele lugar, ou talvez não.
Nesses dias minha percepção foi perversamente alterada.
Ou seria refeita? Ou destruída?
Vai saber.

A casa dos pais do meu pai sempre apresentou uma realidade bem diferente do lugar em que vivia. Era uma casa humilde, em que compravam e armazenavam comida, coisas de tempos difíceis.

Meus tios passavam por muitas dificuldades, outros por problemas que eu achava legais.
O meu tio mais velho, por exemplo, trabalha como bicheiro, foi preso algumas vezes e "comercializa coisas", hoje tem 70 anos (mesma idade da mãe da minha mãe). E, fica desde que me lembro do mundo, numa esquina com o talãozinho de jogo e seus cachorros. Hoje mora no andar de cima de um galpão do meu pai.

Enfim...

Fui embora com muitas/algumas perguntas:

Quem eu seria hoje se tivesse sido criada pela família de meu pai?

Como minha avó materna viveria no mundo de hoje?
[*Sendo mulher não consigo me visualizar sob as mesmas condições que ela viveu.]

Mas, ao mesmo tempo pensei:

O que é preciso para ser feliz?

Não sei se minha avó desejava algo mais do que ter muitos filhos e uma casa.
Certamente não tinham ânsia pelo dinheiro, mas em nutrir uma família.

E, fico pensando aqui...
Ainda existem famílias hoje?

Fui embora com a sensação de ter preenchido algo.
Não sei o que.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

aka hobsbwam

"O propósito de uma economia não deve ser o lucro, mas o bem-estar de todas as pessoas, assim como a legitimação do Estado é seu povo e não seu poder. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para criar sociedades boas, humanas e justas. O que importa é com quais prioridades combinaremos os elementos públicos e privados em nossas economias mistas. Esta é a questão política-chave do século XXI."

Eric Hobsbawm

sábado, 17 de outubro de 2009

sinto muito convida

No dia 24/10 o Sinto Muito completará sete anos. Para quem não sabe, o Sinto Muito é um grupo sobre transtornos alimentares. eu participo desde seu "nascimento".

Me descobri anoréxica, aos quatorze anos, faz onze anos. Como disse a Joy para o G1: "Os sintomas foram ‘gritos’ de desespero que berrei e os quais tentei ouvir com a melhor acuidade possível. Fazer uma cisão entre doença e saúde é, ao meu ver, inviável, tanto quanto separar aquilo que eu fui disto que eu sou hoje. Quem há de dizer que não é saudável aquele que, em sofrimento, expressa a sua dor e procura ajuda?”

Fico feliz em ver o caminho, depois de sete anos, de pessoas (como na Nat Bonfim, a Joy, a Dani Araújo e o meu) que tiveram coragem de expor suas vidas em momentos delicados, em compartilhar relatos que pareceriam imorais, bizarros e reprováveis para a unanimidade. Como diz a Dani: "Nao sou decente, nem de boa família".

Um transtorno alimentar não é um episódio em que você olha para a revista e quer ser igual a Gisele, não se trata de querer ser magra, de comer muito brigadeiro em um dia, nem de chorar porque se acha gorda quando a roupa ficou justa. Envolve comer (o antropofágico), o digerir, entender isso tudo e sobreviver. Trata-se de ouvir todo dia, de todo mundo: "mas você precisa ter vontade e querer ficar boa" - quando a luta é bem complexa.

Nesses sete anos posso dizer que consegui algumas coisas: não usei mais drogas, nem bebidas, parei com as anfetaminas e remédios aceleradores de tireóide. consegui parar de fugir de canto para canto. estou estabelecendo alguns vínculos. mas, ainda não tenho noção do mundo real (se ele existe).

Parece que algum tempo da minha vida foi roubado, durante as seções de pesquisa com a Dani citei isso algumas vezes. Não sei por efeitos alucinógenos, ou como forma de sobrevivência meu cérebro apagou algumas memorias. Melhor assim.


Eis o convite:



Quando?
- dia 24/10, sábado, das 14 às 16 horas

Onde?
- Rua Antonio Bicudo, 157, cj. 02, Pinheiros

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

outra realidade

Na sexta-feira passada fui trabalhar no Parque Ibirapuera, no Planetário.
Considero isso um privilégio, que sempre pode ser repetido.
Lembro que durante a faculdade queria muito estagiar no viveiro Manequinho Lopes - não consegui.

A primeira vez que aconteceu trabalhei no parque foi no SPFW e durou alguns anos.
Depois veio o Campus Party, no final do ano passado o ciclo de debates da Bienal...

...é como se eu pudesse visitar coisas de criança que considerava possível, mas diziam que não. Uma vida alternativa, vista como impossível.

De certa forma, um passado sem vínculos me faz pensar em construir propostas coletivas e profundas. Coisas que [talvez] sejam mais possíveis em papel e digito do que no cotidiano.
Mas algumas dessas convicções, sei que são bem reais.

numa troca de emails hoje:

disseram: "Eu concordo que o mundo bipolar já não existe mais, apesar de alguns partidinhos de fundo de quintal estarem esperançosos de que C. Marx chegue a cavalo a qualquer momento.
Infelizmente, eu já vivi esta ilusão ... Comprei esta farsa e hoje percebo que fui enganado .
O que me deixa mais triste , é que o mundo das mentiras ainda existe .... E o povão , coitado, compra junto com a novela das 8... Ou seria das 9 ?
Pobre povo, manipulado, usado, manejado como gado .
O barbudao mente e o povo compra . O barbudao usa terno italiano e o povo paga .
Sabe o resultado ? Os americanos devem dar risada quando têm um estúpido destes trabalhando a favor deles, mesmo falando totalmente ao contrario pro surrado povo .
Dá Bolsa Esmola, assim fica cada vez mais fácil pros gringos manipularem ... Quem vai querer ser produtivo, se recebem esmolas ?
Sabe que a África recebe milhões e milhões de dólares em esmolas anualmente, há varias décadas ? Bom , o resultado eu acho que nem preciso comentar ...
Já leu Animal Farm ? Dizem que é o livro de cabeceira dos "Chavez" do surrado continente sub equatorial ..... Eles devem dar risada dos cavalos suados dentro dos ônibus indo pra casa no final de mais um dia de trabalho."


e, eu: "quando paramos de atacar os outros e construímos mudanças, as coisas começam a mudar.
mas é claro que isso é nada, na imensidão azul - azul escura, a do universo.




seja feliz! bom dia, o ultimo de setembro. ;)"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

eu_metarec




Oi!Esse post faz parte da Blogagem Coleltiva "Dia da in(ter)dependência", da MetaReciclagem.


Esses dias tive a oportunidade de revisitar, escrever, editar, ler, e pirar em muitas coisas do arquivo da rede. Por isso, foi complicado decidir o que iria escrever/postar. Cheguei a separar muitos links, escrever e deletar - muitas vezes. Mas não estava bom.

Como propusemos a questão da interdependência, pensei que seria interessante (ah tudo bem, interessante é pretensioso demais, então, divertido) aplicar esse termo para eu_no_metarec.

Foi uma inquietacação simples, embora presente em muitos dos materiais que li: ninguém participa de uma rede isolado ou sozinho, ninguém faz parte de um coletivo se não compartilha de algumas atitudes, princípios e identidades.

Googleei meu primeiro email para lista, e apliquei um exercício comum ao meu dia-a-dia, o de não me prender aos fatos do passado, mas construir um futuro novo para poder olhar as coisas de outra perspectiva. O efeefe usou uma expressão: "passado fluído"

eis uma parte do meu:

Em 26/01/08, Maira Begalli, escreveu:
>
> Olá, Meu Nome é Maira Begalli, tenho 23 anos.
> Fui convidada pelo Felipe para entrar aqui ;)
>
> Sou jornalista e Gestora Ambiental, terminei minha pós em Comunicação
> Jornalistíca, voltada para apropriação da mensagem no multimídia.
> Trabalhei como assessoria de moda internacional por 5 anos. Nunca gostei
> do que fazia pelo niilismo do meio, pela pandemia do eucentrismo que domina
> o habitat fashionista. Porém, aprendi muita coisa, como analisar a
> sociedade, como ver várias coisas que ficam escondidas de muitos. Fiz
> contatos importantes, daí em julho/07 decidi parar porque não aguentava
> mais. Era como seu eu tivesse um alterego, e não sabia o porquê fazia
> aquilo.Daí começei a fazer freelas, estou como correspondente de uma
> revista digital de Portugal muito bacana - que ainda não foi lançada - e
> busco consolidar algo agora.
>
> Bom, meu projeto tem a ver com a Era da Iconofagia, que é latente na
> sociedade contemporânea, nela as pessoas foram engolidas por imagens
> midiáticas, que propunham sonhos e significâncias em uma linguagem rasa e
> instantânea.
>
> Ícones que se tornaram mediadores das mensagens e hipnotizadores ao mesmo
> tempo. Isso é mais latente nos jovens, que foram mais expostos a linguagem
> publicitárias - que por sua vez se apropriou da arte (esta intrínseca ao
> homem) - mais do que qualquer outra geração.
>
> Esses meios criaram mensagens globais, não mais de comunicação ou
> informação, mas de exposição. A maxíma do Espetaculo de Debord do que só é
> bom aparece, e todas as coisas boas passaram a ser ligadas com experiências
> de marca e consumo. O portal que o SPFW (www.spfw.com.br) fez isso. Ele se
> apropriou dos conceitos de colaboratividade, que nós defendemos e estudamos.
> E criou o My SPFW (porque todo mundo quer ser famoso e lindo).

Hoje reconheço algumas parte de texto, naquela época eu estava bem mais perdida, buscando novas possibilidades, buscando não caminhar mais sozinha, de poder ajudar e ser ajudada.

Um ano e meio é relativamente pouco tempo, mas de lá pra cá consegui desviar para alguns lugares legais. E, dentro desse período estabeleci alguns vínculos importantes com pessoas da rede. Pessoas com quem pretendo cultivar projetos, sonhos, vidas livres.

Agora, se tudo isso é existe? Jardinando, descobri que "depende" :P.

em 13/07/2004

efeefe: Na prática o nome MetaReciclagem é uma bandeira pirata, usamos quando necessário pra subverter preconceitos mentais de pessoas que ainda pensam como no século XX - a marca Kolynos é dentes brancos, a marca Omo é roupas brancas, a marca Medellin é outras coisas brancas. Não podemos acreditar no poder da marca. Não podemos levar “o metareciclagem” a sério, porque nada pode ser levado a sério. Essa correria toda que a gente faz é só o começo de uma pusta época de inovação. Anota aí: daqui a sete anos a gente vai olhar pra trás e rir. Ou chorar. Não podemos acreditar que o que já fizemos até agora é a grande revolução. Essa ainda nem começou.

amigo do fernando: Quando falo do grupo para pessoas de fora, chamo de “metareciclagem”,

efeefe: Perfeito. Estratégia pirata.

amigo do fernando: quando saio de casa para encontrar o grupo digo a minha mãe que fui encontrar o “metareciclagem” pois se disser que fui ao encontro do grupo que não existe ela pode achar que estou com febre.

efeefe: Melhor ainda.

amigo do fernando: Não leve muito a sério essa história do grupo que não existe, o grupo existe mesmo sem existir, é inevitável.

efeefe: Sim. Existe e depois inexiste. E existe como conceito com todo mundo que quer conversar sobre tecnologia social. E existe como identidade de um grupo de pessoas que está trabalhando em menos de meia dúzia de projetos.

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